Universidade.pt

Relatório · Concurso Nacional de Acesso 2026

Onde faltam alunos

Não faltam vagas no ensino superior português. O que falta é coincidência entre o sítio onde elas estão e o sítio onde os alunos querem estar.

Atualizado em · Universidade.pt

Dados oficiais da DGES, 1.ª fase e 2.ª fase de 2026

O país encheu mais vagas do que no ano passado

Entre os 1109 cursos com dados nos dois anos, as vagas por preencher na 1.ª fase caíram de 19,8 % em 2025 para 11,5 % em 2026. Em números absolutos, foram mais 4587 colocados no mesmo conjunto de cursos.

É uma melhoria grande e vale a pena dizê-la primeiro, porque o resto deste relatório é sobre o que não melhorou.

Mas a distância entre o interior e o litoral aumentou

Nas instituições públicas, o interior deixou 32,2 % das vagas por preencher na 1.ª fase. No litoral foram 5,9 %.

E não é só a diferença que é grande — é que cresceu. Em 2025 o interior ficava 3,1× pior do que o litoral; em 2026 ficou 5,6× pior. Os dois melhoraram, mas o litoral melhorou muito mais depressa (13,3 % → 5,6 %) do que o interior (41,7 % → 31,7 %).

Onde ficaram as vagas por preencher (2026)
Setúbal: 16,1 % por preencherAçores: 15,9 % por preencherMadeira: 16,8 % por preencherAveiro: 5,0 % por preencherLeiria: 15,8 % por preencherViana do Castelo: 25,3 % por preencherBeja: 39,1 % por preencherÉvora: 10,4 % por preencherFaro: 8,4 % por preencherLisboa: 2,5 % por preencherPortalegre: 30,9 % por preencherSantarém: 39,1 % por preencherBraga: 4,9 % por preencherBragança: 58,6 % por preencherCastelo Branco: 26,8 % por preencherCoimbra: 7,5 % por preencherGuarda: 50,0 % por preencherPorto: 1,3 % por preencherViseu: 31,8 % por preencherVila Real: 16,4 % por preencher
  • menos de 5 %
  • 5 a 15 %
  • 15 a 25 %
  • 25 a 40 %
  • 40 % ou mais

Percentagem das vagas da 1.ª fase que ficaram por preencher em cada distrito. Passa o rato por cima para ver o valor.

Vagas por preencher na 1.ª fase, por distrito (2026)
DistritoVaziasVagasCursos
Bragança58,6 %185243
Guarda50,0 %72827
Santarém39,1 %152540
Beja39,1 %52214
Viseu31,8 %142133
Portalegre30,9 %64322
Castelo Branco26,8 %267665
Viana do Castelo25,3 %96028
Madeira16,8 %71422
Vila Real16,4 %187344
Setúbal16,1 %245252
Açores15,9 %66724
Leiria15,8 %197552
Évora10,4 %141240
Faro8,4 %167846
Coimbra7,5 %6267114
Aveiro5,0 %237358
Braga4,9 %383590
Lisboa2,5 %14 297225
Porto1,3 %8358131

Só distritos com 200 ou mais vagas. Inclui público e privado.

39 cursos não colocaram uma única pessoa

Abriram, tiveram vagas e ficaram vazios: 774 vagas que ninguém ocupou na 1.ª fase. São todos do ensino público.

Cursos com zero colocados na 1.ª fase
CursoVagas
Engenharia de Energias RenováveisESTiG · IPB · Bragança60
Engenharia Eletrotécnica e de ComputadoresESTiG · IPB · Bragança40
Tecnologias Digitais e GestãoESTiG · IPB · Bragança40
Engenharia CivilESTiG · IPB · Bragança30
Engenharia das Energias RenováveisESTCB · IPCB · Castelo Branco30
Informática e ComunicaçõesEsACT · IPB · Bragança30
Educação AmbientalESEB · IPB · Bragança25
Engenharia AgronómicaESA · IPB · Bragança25
Engenharia AlimentarESAV · IPV · Viseu25
Engenharia ZootécnicaESAV · IPV · Viseu25
Tecnologia dos Espaços VerdesECAV · UTAD · Vila Real25
Ciência e Tecnologia dos AlimentosESA · IPBeja · Beja24

Os 12 com mais vagas, de 39.

A informática desfaz a explicação fácil

É tentador concluir que sobram vagas nos cursos que ninguém quer. Mas das 1486 vagas em ciências informáticas — a área que toda a gente diz que falta gente — ficaram 25,0 % por preencher.

Informática: os cursos que mais vagas deixaram vazias
CursoPor preencher
Engenharia Informática e MultimédiaISEL · IPL · Lisboa42 de 94
Tecnologias Digitais e GestãoESTiG · IPB · Bragança40 de 40
Informática e MultimédiaESTCB · IPCB · Castelo Branco33 de 35
Engenharia de Redes e Sistemas de ComputadoresESTG · IPVC · Viana do Castelo31 de 36
Informática e ComunicaçõesEsACT · IPB · Bragança30 de 30
E, na mesma área, os mais disputados
CursoCand./vaga
Ciência de DadosUMinho · Braga7,7×
Inteligência Artificial e Ciência de DadosFCTUC · Coimbra7,6×
Ciência de DadosISCTE · Lisboa7,5×
Informática e Gestão de EmpresasISCTE · Lisboa6,8×

Não é a área que afasta os alunos. Dentro da mesma área, no mesmo ano, há cursos com quase oito candidatos por vaga e outros que não colocam ninguém — e nem sequer é só uma questão de interior contra litoral, já que o curso com mais vagas vazias está em Lisboa. É o curso concreto, na instituição concreta.

E onde há procura, há muita

No outro extremo do mesmo concurso, Medicina na Universidade de Aveiro teve 20,8× candidatos por vaga.

Mais candidatos por vaga na 1.ª fase
CursoCand./vaga
MedicinaUA · Aveiro20,8×
DireitoNOVA School of Law · Lisboa16,0×
Serviço SocialISCTE · Lisboa15,4×
Economia (ensino em Inglês)ISEG · ULisboa · Lisboa15,3×
PsicologiaUMinho · Braga14,9×
Ciência PolíticaISCTE · Lisboa14,0×
PsicologiaFPCEUP · Porto13,6×
Tecnologias Digitais e GestãoISCTE · Lisboa13,3×
Áreas com mais vagas por preencher
Área de formaçãoVaziasVagas
621 Produção Agrícola e Animal53,5 %628
851 Tecnologia de Proteção do Ambiente44,3 %327
522 Eletricidade e Energia40,2 %383
520 Engenharia e Técnicas Afins39,1 %302
812 Turismo e Lazer33,1 %1116
481 Ciências Informáticas25,0 %1486
441 Física24,0 %572
582 Construção Civil e Engenharia Civil23,1 %922

Só áreas com 300 ou mais vagas.

Como estes números foram feitos

  • Fonte: ficheiros oficiais de colocação da DGES, 1.ª fase e 2.ª fase de 2026, e o guia da DGES para a oferta formativa. Cada curso tem a sua página com os números de origem.
  • «Por preencher» é a diferença entre as vagas postas a concurso e os colocados, no fim da fase indicada. Salvo onde se diz o contrário, os números são da 1.ª fase, que é onde se decide a maior parte das colocações. No fim de todas as fases publicadas ficaram ainda 4069 vagas por preencher (7,2 %).
  • «Interior» é um agrupamento deste relatório, não uma definição oficial: os distritos sem costa — Beja, Bragança, Castelo Branco, Évora, Guarda, Portalegre, Santarém, Vila Real, Viseu. A tabela por distrito não agrupa nada, para quem preferir outra divisão.
  • A comparação entre anos usa só os cursos com dados nos dois anos (1109), porque comparar totais de universos diferentes daria uma tendência que não existe.
  • Números calculados dos dados a cada atualização. Em caso de divergência, prevalecem as fontes oficiais.